LÍNGUAS DIFERENTES…

                        A língua portuguesa original, presente nos livros antigos e falada pela elite cultural portuguesa, soa afetada e pedante.  Na verdade, serviu de gabarito, sobre o qual foram se sobrepondo regionalismos, expressões idiomáticas, influência de outras línguas, até chegar ao idioma que falamos no Brasil. Essas variações são como temperos, que foram tornando mais palatável e mais leve o idioma lusitano. Hoje quando comparamos o português falado no Brasil e em Portugal, percebemos que são duas línguas. O arcabouço é o mesmo, guardam  muitas  similaridades. Porém um cidadão português passeando pelo Brasil tem dificuldades em nos entender. Acha nossa pronúncia engraçada e demora a reconhecer as palavras. Precisa de várias repetições e explicações. Assim também ocorre quando vamos a Lisboa. Banheiro é “casa de banhos”, freios são “travões”, ventania é “buzaranha” fila é “bicha”, balas são “rebuçados”, e tudo com aquela pronúncia rápida e com charmosos solavancos. Ouvi certa vez de um jogador de futebol brasileiro que jogava em Portugal, que tinha contratado um intérprete pois não entendia o que o treinador e os companheiros falavam. A língua que Cabral trouxe em suas caravelas, em pouco tempo passou a incorporar palavras e expressões indígenas. Os escravos africanos, deram uma contribuição muito importante, bem como as levas de imigrantes que aqui aportaram. Hoje o português falado no Brasil é um patrimônio cultural nosso e  e bem que poderia chamar-se língua brasileira. Minha mulher não concorda comigo por ser portuguesa de nascimento e posteriormente naturalizada brasileira. Como veio criança, perdeu o sotaque. Mas insiste em que é a mesma língua. Numa das visitas que fizemos a Portugal, eu procurava imitar a fala das pessoas de lá, e ela não. Um tio dela falando comigo disse “Eh pá! como pode ser isto? Tú és brasileiro, e minha sobrinha portuguesa. A ti percebo, e a ela não percebo nada!”.

                        Não cabe muitas discussão. As línguas do Brasil e de Portugal são próximas, mas cada uma delas tem estrutura gramatical, ortografia, e sonoridade próprias.  Digamos que sejam gêmeas não identicas.

 

 

 

 

Publicado por

AILTON V. PRIMO

Brasileiro, casado, médico radiologista, 65 anos

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