AINDA TENHO ESPERANÇAS

Há pelo menos 50 anos venho esperando por um Brasil melhor. Ja passei por vários Brasis, em cada um deles recalibrei minhas esperanças para a nova ordem política que passava a vigir. Atingi minha maioridade na época do regime militar, dali para cá passei a analisar os fatos com minha própria cabeça. Em todo esse tempo, o traço comum entre eles foi a alienação do povo e um mar de corrupção e desmandos. Venho esperando e lutando desde minha trincheira de cidadão honesto e trabalhador por um tempo em que o povo tenha voz e vez. Pago meus impostos religiosamente, por isso me sinto no direito de falar de governos aberta e destemidamente. Os compadrios e conchavos ora da direita, ora da esquerda levou nosso povo a uma espécie de anestesia e arreflexia política. Uma descrença geral e uma indiferença quanto aos destinos do País. Disso se aproveitaram os ratos de plantão para saquear a nação e distribuir o butim entre a companheirada. Esse estado de coisas foi corroendo os três poderes da república e entranhando o tecido social de maneira que sem percebermos paramos de estranhar os malfeitos. Escondendo-nos atrás do “no Brasil é assim mesmo”. Nunca entregarei os pontos, acho que chegará o dia em que não vamos mais nos envergonhar de ser honestos. A lisura, a honestidade, o compromisso com o bem coletivo será a tônica. Isso no entanto será para meus filhos e netos. Com a chegada deste último governo senti que poderia ser diferente, havia um sopro de renovação no ar. No entanto em que pese suas intenções de mudanças, o presidente vem tropeçando nas próprias pernas, e nas pedras colocadas no seu caminho pelos opositores e até por seus próprios filhos. O bate cabeças entre os poderes é evidente. A vaidade prepondera e se impõe sobre os interesses do povo. Nessa semana por exemplo, fomos surpreendidos por um ministro do STF, concedendo um hábeas corpus a um dos maiores traficantes do país, baseado em tecnicalidades da lei. Ora, manter um indivíduo desta periculosidade preso deveria ser do interesse de todos, inclusive do próprio ministro que concedeu o HC. Qual é a dele? Bater no peito e dizer que aqui quem manda sou eu?. Isso é vaidade pura além de dar margens a deduções bem piores. – Esses desencontros entre a vontade do povo e decisões individuais de alguns ministros do supremo. A atuação dissimulada dos membros do parlamento, e as mãos atadas do presidente, fazem com que minha aspiração se torne cada vez mais distante. Temos hoje um governo divido em várias fatias, cada uma pensando em beneficio próprio, e dane-se o povo. Precisamos de um líder que dê um murro na mesa, puxe a responsabilidade para si e recoloque as coisas nos devidos eixos. Isto não é tão fácil de acontecer. Mas não custa sonhar. Não desistirei nunca de lutar.

Publicado por

AILTON V. PRIMO

Brasileiro, casado, médico radiologista, 65 anos

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