EFEITO COLATERAL

A longo prazo vai ser difícil saber o que causou maior estrago, o vírus SARS-COV-2 ou efeito psicológico de sua passagem. A pandemia já dá sinais de arrefecimento em muitos países, e em muitas regiões do Brasil, no entanto o estado emocional da população está profundamente comprometido. Isto se deve mais aos efeitos do uso político e do desencontro de informações entre os responsáveis pelo encaminhamento da solução. O bate cabeças entre as organizações internacionais de saúde, manipuladas por governos inescrupulosos, levou a um clima de insegurança generalizado desde o início. Somado a isso, no Brasil, governos Federais, Estaduais, Municipais se engalfinharam numa ferrenha disputa pelos nacos de recursos disponibilizados para o combate à pandemia alheios ao pânico crescente entre a população, com cada um querendo assumir maior protagonismo que o outro, sem nenhum sentido de união. A ciência fez sua parte e num grande esforço, lançando mão dos avanços tecnológicos, foi em busca de medicamentos e vacinas para combater a virose, com boas perspectivas de sucesso. Já estão a caminho várias vacinas e dezenas de medicamentos que serão de extrema utilidade no combate à virose. No entanto, o estrago foi muito além do comprometimento físico dos afetados. O pior dano foi causado pela onda de medo e pânico, magnificada, massificada e manipulada pela imprensa e por agentes irresponsáveis que obtém vantagens a partir do caos . As pessoas criaram um excessivo medo de ir à padaria, ao cabeleireiro, ao banco, ao cartório. Qualquer necessidade mínima de deslocamento tem que ser acompanhada de um ritual que já se mostra inócuo e sem sentido. As pessoas andam mascaradas dentro do próprio carro. Vigiando umas às outras, discutindo, indo quase às vias de fato por causa de meio metro no distanciamento na fila do caixa. Foi criado em função do pânico coletivo um ambiente hostil de convivência. A população, sobretudo a menos esclarecida, e justamente a que mais absorve os impactos da massificação midiática. Nada entendendo de estatísticas e cálculos são presas fáceis para o tom de voz preocupado dos ancoras treinados para ampliar o medo. Assistem ou ouvem a mesma notícia dez vezes por dia e pensam que a cada vez é um fato novo, que a coisa está piorando de forma irremediável. Essa divulgação massificada e repetida, de números desencontrados, criou uma sensação de que a mortalidade da doença (de cerca de 2 a 2,5 %) é pelo menos trinta vezes maior que o real. No subconsciente das pessoas está impregnado o “pegou, morreu”, grande responsável pelo estado mental reinante e que leva uma situação próxima de uma paranóia generalizada. A pandemia será com certeza controlada, mas seus reflexos na saúde mental de nosso povo perdurarão por muito mais tempo. Sem falar dos efeitos econômicos/sociais dos chamados “lockdowns”, levando ao aumento do desemprego e da miséria, mas isto será assunto para muitas outras crônicas.

AVP-05/01/2021

Publicado por

AILTON V. PRIMO

Brasileiro, casado, médico radiologista, 65 anos

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