EM RESUMO…

A expressão “mais perdidos do que cego em tiroteio” nunca foi tão elucidativa quantos agora que governadores e prefeitos seguem batendo cabeça tentando disfarçar a própria incompetência no combate à COVID-19. A decretação de mais um lockdown depois de vários outros que se revelaram ineficazes e inúteis vem acompanhada do surrado bordão de “não sobrecarregar a rede pública e privada de hospitais, que já se encontram no seu limite, não dispondo de mais leitos de UTI para os casos graves da doença. Argumento frágil pois na verdade o sistema de saúde tanto público como o privado há muitas décadas não comportam nem mesmo as demandas corriqueiras. Não é que estão sobrecarregados, mas sempre foram sobrecarregados. Os constantes desvios e malversação de verbas no setor público não permitem a esperada contrapartida em qualidade e eficiência. No setor privado, as baixíssimas remunerações pagas pelo SUS e outros convênios aos contratados impedem ou inibem novos investimentos na área. Enquanto uma consulta médica custar pouco mais do que um lanche na padaria, jamais haverá estímulos para os hospitais privados se modernizarem, e investirem de maneira adequada. Portanto, o “buraco é muito mais embaixo”. É uma situação crônica que demanda soluções negociadas de parte a parte, e que passam por uma reestruturação moral de todo o sistema. Isso leva tempo e exige vergonha na cara. Esses sucessivos lockdowns que vem sendo decretados desde o início da atual crise sanitária tem como pano de fundo esconder décadas de corrupção e incopetencia. Não impedem o contagio pois a maioria deste se dá no ambiente doméstico. A maioria das pessoas que procuram os hospitais estavam em casa, e não no trabalho. É apenas para não dizer que não foi feito nada, mas o resultado é irrelevante. Outra coisa que chama a atenção é o desmonte dos hospitais de campanha de maneira tão precoce. Muitas destas unidades foram montadas e desmontadas em poucos meses. Será que tinham uma importância tão curta? – Debaixo desse angu tem caroço. Outro assunto polêmico é o chamado tratamento precoce. Ora, existem os trabalhos científicos formais quem atestam e dão legitimidade à eficiência das drogas. Porém, num estado de emergência como o atual, não se pode desprezar medicamentos que tem-se demonstrado úteis na prática. O combate por parte das autoridades ao uso de drogas como a hidróxicloroquina, Ivermectina, antibióticos e outros apenas perpetua a dúvida com relação à mortalidade da doença. É a chamada ineficiência por decreto. O Governo Federal tem derramado montanhas de recursos nos estados e municípios, que como sempre têm dado destino questionável a eles. No frigir dos ovos, vai-se acabar chegando a conclusão que o presidente Bolsonaro, com toda a sua falta de polidez e e sutileza estava certo desde o começo, quando dizia que o problema não pode ser atacado por um lado só. O que esses lockdowns tem se mostrado eficientes é no aumento da dependência do povo aos programas sociais, e a exacerbação da miséria e da subserviência aos políticos.

Publicado por

AILTON V. PRIMO

Brasileiro, casado, médico radiologista, 65 anos

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