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É, AS COISAS MUDAM…

                Há pouco tempo tive que ir a embaixada americana para obter uma série de informações no departamento comercial. Liguei antes e fui informado que teria que agendar o atendimento. No dia, cheguei uns vinte minutos antes do horário marcado, e deparei ali com uma multidão que lá estava por motivos variados. Seguranças por todos os lados. Respostas ríspidas dos funcionários, gente revoltada, chorando. Então, enquanto esperava comecei a relembrar a primeira vez que ali estive, aos dezoito anos, para pedir um visto de turista para aquele País.

                    Final dos anos 1960. O Local já era o mesmo, mas a divisão de Brasília não era ainda Embaixada, era um Consulado. Desci na estação rodoviária na praça dos três poderes. O sol quase a pino, um calor infernal, a umidade relativa do ar muitíssimo baixa, dava a sensação de clima de deserto. Localizei a Catedral. Sabia por informação de um amigo, que era ali por perto. Caminhei na sua direção e fui descobrindo o quanto é grande aquela praça. Já molhado de suor e às portas daquela obra magistral de Oscar Niemeyer perguntei a um ciclista onde ficava o consulado americano.   O homem simples levantou o chapéu de palha e enxugando o suor com a manga da camisa disse “Não sei direito, mas pode descer por essa avenida mesmo, que logo ali tem algumas bandeiras de países estrangeiros, deve ser por lá. O logo ali que ele disse, era uns dois quilômetros à frente. Enfim cheguei ao local indicado pelo meu informante, e logo identifiquei o consulado. Finalmente, suado, cansado e faminto cheguei ao meu destino. Tinha um policial brasileiro na porta e apenas duas funcionárias. Dona Frida, um pouco mais velha aparentava ser a chefe, e dona Odete que datilografava freneticamente numa máquina Olivetti elétrica, que na época era o que tinha de mais moderno. Eram ambas brasileiras. Me apresentei, e disse o que queria. Dona Frida me disse que o cônsul tinha acabado de sair para o almoço, e voltava as duas da tarde. Pedi permissão para esperar ali mesmo, pois o sol não estava moleza.  Além das funcionárias não tinha mais ninguém e assim permaneceu enquanto estive lá. De repente fiquei sozinho. As duas saíram por uma porta nos fundos da sala. Alguns minutos depois, dona Odete apareceu na porta e me perguntou “Você já almoçou meu jovem?”, eu disse que não e cruzei os dedos por um convite, pois estava sendo torturado pelo cheiro de comida que vinha da sala anexa. Então ouvi aquela voz maravilhosa da qual me lembro até hoje, dizer “vem almoçar com a gente”. Comi salada, prato principal, sobremesa, refrigerante, tudo o que tinha direito, e voltei para meu cantinho no sofá. O Cônsul chegou no horário esperado, mas não cheguei a ver a cara dele. Dona Odete pegou meu passaporte com um único formulário que é o mesmo até hoje, entrou na sala do Consul e em cinco minutos voltou com um visto válido para quatro anos, categoria BI/BII, e me desejou uma boa viagem. Então voltei a enfrentar o sol, agora feliz e aliviado por ter conseguido.

                    Conto essa estória para os meus amigos que frente as dificuldades de hoje para obtenção de visto ou qualquer outra coisa naquela Embaixada, acham que é brincadeira. Mas não é, essa foi minha primeira e inesquecível experiência com o meio diplomático americano.

ÀS FAVAS

                                                       08/04/2017

            Sempre tive ao longo da vida, uma autocensura muito acentuada. Nunca consegui conviver com a hipótese de parecer ridículo ou inconveniente, seja do meu próprio ponto de vista, ou de terceiros. Acredito que isso tenha sido o meu “calcanhar de Aquiles” , tenho vários outros mas talvez tenha sido o mais importante.  Tive uma coleção imensa de medos e receios. Fui me desvencilhando de alguns ao longo do tempo, outros permaneceram até hoje. Ah! Como era difícil chamar uma moça para dançar. Será que minha roupa está condizente com a festa? Será que ela tem namorado? E se ela disser NÃO, vou ficar com uma cara de idiota. Não, não tenho coragem, melhor tomar mais uma caipirinha. Quando a coragem chegava eu já estava eufórico ou bêbado e aí Pimba!!! , Ia lá e falava coisas imbecis e as vezes inconvenientes e o Não vinha com mais veemência (Problema superado quando enfim num lance de sorte me casei).  –  Tinha pavor de falar em público. Vou gaguejar, vou perder o raciocínio, vão me achar despreparado etc. etc. isso embora eu fosse muitas vezes o mais preparado entre todos. Fazer perguntas na aula  era um terror. De antemão já me sentia sendo julgado  por toda a classe. Que pergunta idiota, esse cara  é um burro!!! (superado com o tempo) – Até para comprar tinha dificuldades, se o vendedor me mostrasse muitas opções eu já ficava sem jeito de sair sem comprar nenhuma. Para vender alguma coisa também não era diferente. Ficava com vergonha de dar o preço. Vão achar muito caro e não vão querer, e aí eu sempre vendia por menos do que pretendia (superado com o tempo).  Enfim, intercalando fases melhores e piores vivi asses meus 65 anos. Sempre preocupado com a opinião dos outros. Hoje olhando para trás não creio que fosse só timidez. Era burrice mesmo. Poderia continuar narrando muitas outras situações, mas todas com o mesmo  perfil.

             Como antes tarde do que nunca. Resolvi que pelo resto da minha vida vou mudar radicalmente de atitude. Não vou me importar mais com a opinião de ninguém a menos que venha para me aprimorar. Críticas pura e simples, sobretudo as que nada constroem ficam agora no passado.

             Já me surpreendo fazendo coisas que me pareciam inadmissíveis. Que não “ combinavam”  com a minha personalidade. Vou para a piscina do prédio na segunda feira, levando um jornal e uma cerveja sem me preocupar se os vizinhos vão me considerar um preguiçoso.  Ouço as músicas que quero sem me preocupar se vão achar brega e assim por diante.

As favas a opinião alheia.  Estou adorando essa fase de liberdade.

 

O MOTIM

Do fundo do poço

Brota a esperança

Viva, ardente, pujante

Dos que se supunham vencidos,

Dos cansados, dolentes, combalidos

Que súbito se agigantam

E clamam por respeito e liberdade

Mostram armas que outrora

Arredios, recusavam-se a empunhar

Coragem, força, e verdade

Vindos da apatia e da subserviência

Rebelam-se agora com todas as forças

Contra seus algozes e tiranos

Contra as forças que os mantém na escuridão.

Indiferentes aos traumas do passado

Atentos ao pulsar do coração

AVP-01/04/2021

VELHOS ERROS

Escrevo sem ambições jornalísticas ou literárias. Isso me dá uma certa autonomia para pintar com cores reais o que se passa nesse imenso balaio de gatos em que se tornou o Brasil, no que tange à administração pública. Ordens e opiniões desencontradas, tentam nortear o imenso rebanho em que se tornou a população brasileira, escravizada pelo medo e pelam desinformação. Refém de políticas mundialmente equivocadas que de concreto tem trazido apenas o aumento do ritmo de transmissão do vírus, e num curto horizonte trará um aumento descomunal da pobreza. Aliás, a pobreza e a miséria são os combustíveis do comunismo, socialismo, ou todo e qualquer regime totalitário que tire dos indivíduos a ambição e a vontade de trabalhar, de progredir. Hoje no Brasil observa-se uma agravante. Todo o debate foi transformado numa luta sem trégua para derrubar o presidente da república. O inimigo deixou de ser o vírus, passando a ser o presidente Bolsonaro. A sórdida campanha movida por interesse escusos e pela parte parcial e venal da imprensa, tem sido de imensuráveis proporções. A oposição ignora o fato de o STF ter amarrado as mãos do presidente e delegado a prefeitos e governadores a condução da pandemia. Imputam a ele tudo de ruim que tem acontecido, falta de leitos, de oxigênio, dificuldades de logística. Só não o acusam do não repassar recursos para estados e prefeituras. Tem repassado aos montes. Mas ninguém move uma palha no sentido da conciliação, da soma de esforços e da canalização dos recursos para o fim que todos nós desejamos: A vitória sobre essa ameaça que já nos aflige há mais de ano. A corrução segue sendo o maior fator de desagregação política e social ao mandar pelo ralo boa parte dos recurso, e das esperança de todos nós. Parte considerável dos políticos que gravitam em torno do presidente, formam um universo de fisiologismo deplorável. Se unem apenas para olharem para os próprios umbigos. A renovação dos componentes do nosso parlamento ainda é lenta, mas já nos trás esperanças de que num futuro a médio prazo nos livraremos das velhas raposas que ali ainda se alojam. É incrível que figuras rançosas e bolorentas ainda continuem sendo consideradas como solução para alguma coisa. Estão exigindo do presidente a troca de alguns ministros para acalmar as força políticas divergentes cuja expressão principal é o centrão. Só que para essas trocas, têm sinalizado com figuras já sobejamente conhecidas no universo da corrupção. Pasmem, estão ventilando agora o nome do ex-presidente Collor de Melo para o Ministério das Relações Exteriores.- Assim não dá, não tem cabimento. Precisamos virar essa página. Essas velhas figuras do atrazo serão aos removidas nas urnas, mas até lá, com a ficha corrida que têm não podem mais ser considerados a ocupar cargo nenhum. É um escárnio com a população que trabalha (quando deixam) e paga impostos.

O ANFITRIÃO

Houve um tempo, até meados do século passado em que os agentes sanitários, vinculados ao ministério da saúde andavam pelo Brasil combatendo doenças como malária, Chagas, febre amarela. Andavam de uniforme cáqui , com um tanque de veneno nas costas, ligado a um borrifador aplicando aquele produto fedorento (BHC) nas casa e as instalações das fazenda com o intuito de matar os agentes transmissores. Em geral eram bem recebidos pelos moradores devido à nobreza da causa. Quando a noite os surpreendia ainda na lida, costumavam dormir lá mesmo pela roça, desfrutando a cordialidade e hospitalidade dos fazendeiros e agregados. Silvino e Barroso já estavam naquele emprego há mais de dez anos. Naquele dia particularmente quente, tinham andando uns 20 quilômetros aspergindo aquela fedentina pelas redondezas. Resolveram pernoitar na fazenda Monjolo, propriedade de seu Napoleão, próxima à cidade de Itaberaí em Goiás. Pediram pouso, e foram instalados num pequeno quarto na antiga casa dos peões. Napoleão era um homem meio ranzinza, viviam só ele e a mulher naquele casarão. Tinha uma fama de avarento que o perseguia desde a juventude. Pão duro de dar dó. Depois de descansar um pouco, os dois amigos voltaram para a varanda para esperar o jantar. E toca de esperar. Sete horas, oito, oito e meia, nove e nada. Nem sinal de comida. A fome torturava os dois agentes, que ali, naquele ato representavam o governo federal, mas que nada lhes valia. Primeiro a prosa estava boa, contaram causos, riram à farta, mais a medida que a fome apertavas, as histórias foram raleando, começaram a aparecer com frequência expressões do tipo “pois é né!, É isso aí” seguidas de longas pausas, e comida nada. Silvino tomava um remédio para hipertensão arterial, mas vez por outra se esquecia. Virando-se para Barroso a certa altura da conversa, disse: “Esqueci meu remédio, vou pegar”. Barroso então ergueu a voz e perguntou: “Silvino, não faz mal tomar esse remédio com o estômago vazio?”. Napoleão nem se tocou, remexendo-se na cadeira, pigarreou, e, levantando para ir dormir disse com ar displicente: “Faz nada! Até amanhã pro cêis.” – Passando pela cozinha pegou a marmita que a mulher tinha deixado no canto da mesa, e foi comer lá no quarto”. Pela manhã os dois funcionários do governo, putos da vida resolveram ir embora sem se despedir. Mas ao entrarem no velho Jeep da antiga SUCAM, ouviram a voz de Napoleão que já estava no curral ordenhando as vacas. “E o pernoite, quem vai pagar o pernoite?”- Os dois se entreolharam e, em que pese o ridículo da situação, caíram numa sonora gargalhada enquanto aceleravam para a cidade, loucos para tomar café. Para fins de registro, no caminho para Itaberaí, anotaram na caderneta de atendimento: “Fazenda Monjolo, se os pernilongos não te matarem, a fome mata”.

BENDITOS

Bendita seja a água

Que lava a sujeira do mundo,

Bendito seja o fogo

Que incinera a maldade,

Bendita seja a oração

Que limpa a impureza das almas,

Benditos os homens de fé

Que nunca perdem a calma,

Benditos os homens que agem

Feitos de pura coragem,

Benditos os que resistem

Aos golpes da iniquidade,

Benditos os caídos

Por descaso ou crueldade,

Jamais serão esquecidos

Bendita seja a vida

Bendita seja a esperança

E bendita seja, a humanidade…

AVP-26/03/2021

AMIGA ETERNA

Quando menino sonhava

Pular de nuvem em nuvem

Até alcançar a lua,

Nunca consegui alcança-la,

Mas fiz com ela amizade eterna,

Já lhe contei

Todos os meus segredos,

Objetivos, esperanças, medos

De quem gosto, ou não gosto.

Respeito bem suas fases

Entendo seus recolhimentos

Nada lhe peço ou exijo

Exceto, que não me abandone

Que me inspire sempre

Desde o firmamento,

A ser um ponto que brilha

Diante de tantos tormentos…

AVP-25/03/2021

LÁZARO

Quando nos mudamos para aquela vizinhança, ele já vivia por lá há uns cinco anos, era chamado de Lázaro, mas ninguém tinha certeza se era esse o seu nome verdadeiro. Mulato, com cerca de 40 anos, estatura média, sujo, maltrapilho, e exalava um forte odor de precaríssima higiene. Passava seus surtos esquizofrênicos, que podiam durar dias, dialogando com personagens de sua imaginação. Às vezes passava um bom tempo batendo papo com um poste ou uma simples carteira de cigarros jogada no chão. Trazia pendurados ao corpo dois assentos sanitários de função absolutamente desconhecida. Lázaro era inofensivo, uma alma boas dentro de seus martírios. Seu Irani, um comerciante local deixava que ele dormisse num pequeno quartinho de que dispunha em seu terreno. De sua alimentação todos nós cuidávamos. Umas duas vezes por semana o segurávamos meio à força para tomar um banho, ao que ele era totalmente avesso. Nas noites mais quentes, Lázaro costumava dormir ao relento, debaixo de alguma marquise nas redondezas. Numa dessas noites ainda sem sono, embora já fosse madrugada, ouviu alguém pedindo socorro. Sentou-se e viu um homem correndo pela rua, vindo em sua direção. Uma motocicletas com dois ocupantes virou a esquina em perseguição ao homem. Lázaro num impulso inexplicável, saiu da sombra que o protegia e correu em direção ao fugitivo, gritando em altos brados “Acode gente! Estão atacando meu sobrinho. Corre para cá Bernardo, venha que o tio te protege”. Provavelmente Bernardo era uma figura de seus delírios. O fugitivo passou por ele e seguiu correndo pela rua. As luzes começaram a acender. Moradores mais corajosos se aventuravam a sair nos portões para ver o que era. Nesse instante, os perseguidores amedrontados, deram meia volta na motocicleta. Mas antes de se afastarem, um deles apontou a arma na direção a Lázaro e puxou o gatilho. O disparo o atingiu no peito. Morreu antes de ser socorrido. Nunca ninguém soube quem era aquele fugitivo, que num golpe de sorte teve sua vida salva pelos delírios e pela coragem de um pobre louco. Demoramos a nos acostumar com sua ausência. Passei um bom tempo perguntando mentalmente às carteiras de cigarros jogadas no chão: “Nosso amigo tem dado alguma notícia? Se falar com ele, diga que tenho saudades”.

PAPO RETO

Doutor

Estou indisposto, me sinto mal

Me dói a cabeça, a garganta

Estou meio rouco

Não sinto gosto, nem cheiro.

Tem febre, tosse, falta de ar?

Pode não tardar.

É Covid o que tens

Vá para casa e tome dipirona

Volte quanto piorar

Senão, é cova profunda.

Vira pra lá essa boca imunda,

Mesmo que você não endosse

Vou me entregar com urgência

Ao tratamento precoce…

O CORAL

Um bem-ti-vi cantou forte

Do alto de uma paineira

Acordou uma rolinha, sua vizinha

Somaram-se então os gritos

Dos periquitos

Duas araras passam desfilando

Aquarelas voadoras,

Levando encanto aos quatro cantos

Alegre homem, me levanto,

Mas já não canto

Quisera poder cantar

Para juntar-me ao coral dos felizes

Dos alheios aos deslizes e desacatos

Dos insensatos…

AVP-23/03/2021

JÁ VEM DE LONGE

Quando nasci, o Brasil tinha por volta de 50 milhões de habitantes, naquele tempo, a propaganda eleitoral se resumia aos contatos diretos com os eleitores, o aos comícios. Portanto desde bem pequeno acompanho propagandas eleitorais. É impressionante constatar que os métodos de que a grande maioria dos candidatos se valem, não para convencer, mas para iludir os eleitores continuam inalterados, mesmo agora, quando já caminhamos para duzentos e cinquenta milhões de brasileiros, hoje, ainda mais favorecidos pela evolução e proliferação dos meios de comunicação. Nunca assisti a um programa eleitoral, em que todos, sem exceção, até os mais ridículos e caricatos candidatos, espremidos em 10 segundos não usem o mesmo mantra: “Vou trabalhar pela Educação, saúde, e segurança”. – Vamos falar especificamente da saúde por ser o que mais nos aflige agora, nessa situação de pandemia. Depois de eleitos os políticos se comportam apenas de maneira protocolar, e esquecem do que se comprometeram com a sociedade. Perdem o foco do que realmente é importante e muitos acomodam-se com quatro anos de polpudos salários garantidos e pouco trabalham, tornando-se um peso morto para a sociedade. Só na próxima eleição voltam a abusar da paciência e a insultar a inteligência dos eleitores, prometendo as mesmas coisas. Todos os governos, uns mais outro menos, destinaram grandes volumes de recursos para a saúde (atualmente 10% do PIB). É muito dinheiro gente. Daria para termos um sistema de saúde pública muito melhor, se esses recursos não fossem desviados, mal direcionados, ou simplesmente tragado pela corrupção. Não precisaríamos estar passando por essa vexatória situação de ver doentes morrendo por falta de leitos de enfermaria, de UTI, insumos nos hospitais, medicamentos e por aí afora. Imaginem a montanha de dinheiro destinado a saúde que se foi pelo ralo por falta de planejamento adequado e pelo sugadouro da ilicitude. Daria facilmente para oferecer ao povo um sistema de saúde que atendesse suas necessidades, e acima de tudo respeitasse a sua dignidade. Essa situação já vem de muito longe, desde o começo da república brasileira. Não é agora, numa situação de emergência sanitária, que se deve responsabilizar apenas o atual governo exigindo solução rápida e imediata. Não existe mágica, a conta chegou. O dinheiro que está faltando hoje, é aquele que os maus gestores e os corruptos desperdiçaram e roubaram ao longo do tempo. – A classe política (mortos e vivos) tem responsabilidade sobre as dificuldades que passamos hoje. Não adianta só polarizar e politizar o debate, tentando por a culpa no presidente Bolsonaro como se fosse o único culpado, sobretudo depois de ter seus poderes amputados pelo STF. – A classe política precisa fazer uma autocrítica, e reconhecer sua parcela de responsabilidade por omissão. E, ao invés de isolar e tentar derrubar o presidente. Juntarem-se a ele no intuito de encontrar uma solução, a mais abrangente possível. Talvez essas providências sejam um pouco tardias para a situação atual. Mas pelo menos poderão evitar que passemos por outros angustiantes e vexatórios momentos como esse no futuro. Mas, só com o fim da corrupção, a solução virá completa. Portanto o combate a ela não pode jamais ser interrompido.

AVP-22/03/2021

A VIAGEM

Cumpra a sua missão

Com amor e dedicação

O resto deixe com a vida

Ela conhece os caminhos

Aprecie a natureza

Não se renda às incertezas

Se insistirem em chegar

Valorize o bem e a beleza

Que encontrares no caminho

Por mais que te sintas só

jamais estarás sozinho

Seja atento passageiro

Olhando pela janela

Apreciando a paisagem,

Não se esqueça no entanto,

Que a passagem é só de ida

E ao final da viagem

Enfrentarás a pesagem

De seus feitos e defeitos

No decorrer dessa vida…

AVP-21/03/2021